Gigantes do Alto Renascimento: Michelangelo

Retrato de Michelangelo Buonarroti (Ampliada)

Michelangelo ou Miguel Ângelo foi um pintor, escultor, poeta e arquiteto do quattrocento Italiano <3. Um Artista que inicia sua obra em Florença, se aprimora e desenvolve um imenso trabalho lá. Só depois viaja para Roma, onde encerra uma enorme vida artística com influências daquele local também. Michelangelo viveu 88 anos de trabalho duro, literalmente, já que maior parte de sua obra escultórica foi em peças de mármore branco, também era fazedor de enormes Afrescos. Foi considerado um dos maiores criadores da História da Arte no ocidente. Sua carreira se desenvolveu na transição do Renascimento para o Maneirismo (no qual ele foi percussor) e seu estilo sintetizou influências da Arte da Antiguidade Clássica, do primeiro renascimento, dos ideais do Humanismo e do Neoplatonismo.  

O estudo aprofundado da anatomia do corpo humano é visível em sua obra, dedicando assim grande parte dela ao corpo nú, ou a nudez simplesmente. Michelangelo dizia “que o corpo fala por sí só, sem mais”. Na época em que vivia era não muito aceito pela sociedade por sua forma de identificar e representar o divino, onde a nudez predominava, sugerindo assim um dos traços da Antiguidade Clássica naquele momento Gótico. Ele causava com suas representações, seja pintura, seja escultura, as obras eram​ únicas​, independente do que alguns moralistas e representantes da igreja diziam, ele se mantinha intacto, sem se quer voltar atrás em nenhum instante, não se negava e sim afirmava suas origens e linhas filosóficas inspiradoras.

Mesmo com sua personalidade forte e uma simpatia não muito explorada, além de uma representação “moderna” para o pudor da época, Michelangelo foi muito prestigiado e respeitado, pois também era um protegido da famosa e intrépida Família Médici, no qual o colocava em uma posição de poder, simplesmente pelo dom que carregava. Muitas e muitas encomendas eram feitas à ele naquela época: Pela própria Família, no qual seria a maior parte do legado de Michelangelo, pela burguesia local e até mesmo pela Igreja predominante daquela época. O teto ou altar da gloriosa Capela Sistina, o David em posição contraposta e semblante Terribilità ou o grande Moisés são exemplos imortais da sua obra.

Para a posteridade Michelangelo aparece como um dos poucos Artistas que foram capazes de expressar a experiência do belo, do trágico e do sublime numa dimensão cósmica e universal. Sua obra poética também ganha destaque, além da arquitetura. O Artista demostra a capacidade de materializar o que é imaterial (a eternidade) ou até concretizar o abstrato, que é um tanto admirável como alguém em um contexto como o seu. Esse grande Renascentista com certeza deixou um florido campo de opções para os artistas futuros, contribuiu grandiosamente para a Arte que se estende e modifica a todo instante, afirmando assim certa imortalidade nesta.

David, Mármore, 1501/1504, 517×199
Moisés, Mármore, 1505/1545
Juízo Final, Afresco, 1535/41, 1370×1200

Dia da Mentira?

Mentira, tem dia
Tem dia, será, a mentira
Ou todo dia é dia de mentira?
Mentirar, eu fazendo mentira, tem um dia
Ou todo dia é dia de mentira? 
Ou toda hora é o dia da mentira?
Rajadas que planam diante dos olhos, falsos rasgos
Mentira. É o engano, de sí mesmo, só se for.

O que não cabe

E se fosse sereia, arrancaria a calda na vontade de ser gente, andar por aí
E se fosse gente, morreria na mesmice do existir e logo buscaria asas, no voar viver, sustentada pelo vento, na incerteza de um pássaro
Sendo pássaro rasgaria os céus azuis e cinzentos, planaria sobre precipícios duvidosos mas breve se cansaria da inconstância. Desejaria um chão. O que é fixo
E sendo o solo, terrestre, aquilo que é forte e cria raízes, simplesmente não viveria. Me tornaria presa, me tornaria posse, possuída. Morreria por dentro e por fora. E comigo levaria tudo ao redor. Um lago negro que habita a morte.
A consequência é que não há definição, não existe um molde. Vivo no desconhecido, calado, mas aberta ao que possa se mostrar. Incessante buscar. Um corpo, ou copo, me é pouco. Minha alma grita por vida, mas uma vida no lá fora, uma real vida, não essa, onde somos presos em sistemas e enganados por padrões egoístas. Não adapto-me nessa forma limitada existir, os limites sem sentido, não entendo.
Feito um bicho livre, largado em tudo, no mundo. No mundo, infelizmente, não me cabe.

Sutilidade

Não se precipite

Não precipite-se

Precipitar, não

Antecipar o que não se deve

As coisas boas andam lentamente para chegarem – e já depois correm -. 

Passos curtos

São simplesinhas. Sem faltar nem exceder. Ao meio.

Sutis 

É preciso calma no coração para percebê-las.

Flor e sendo.

Nasceram floreados, flores, floras

Das rosas e azuis, Amélias e Carmélias amarelas.

Nas pontas dos dedos, foram brotando tão pequenas e inofensivas flores. Mas então flores são pulsações gástricas na sutileza da mais linda mãe?

Então flores nada mais são do que sorrisos, ou lágrimas, das doces e cruéis inofensivas lágrimas.

Ah! As flores, tão pequeninas e fugazes, saem machucando, explodindo, rasgando a terra, a flor de si mesma. Puxa, força, empurra, vai!!!

Flores então são moças, moças ferozes, vulgares, delicadas, virgens, putas e mães, rapazes moças, distintas e idênticas de si.

No florear daquela tarde eu vi, logo quando o sol e o céu, cruzaram, gozando um imenso laranjão, eu vi, e ela estava lá, perplexa!

Citação: Manuel Bandeira.

Libertinagem, MADRIGAL TÃO ENGRAÇADINHO
Manuel Bandeira

Teresa, você é a coisa mais bonita que eu vi até hoje na minha
[vida, inclusive o porquinho-da-índia que
[me deram quando eu tinha seis anos.

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Consigo achar a Literatura (e Gramática) Brasileira profundamente bonita! Coisas simples e singelas se entrelaçam com as melhores empregadas figuras de linguagem e terminam assim: Tirando um sorrisinho da gente e fazendo morrer de meiguice! — E o melhor de tudo é que algumas vezes não, também podem me deixar enfurecida, como uma obra de Jorge Amado que recentemente lí —. Simplesmente sou fascinada pela Língua Portuguesa e os Grandes Poetas que ela gerou.

Riqueza e Importância aos detalhes: Ornamentação.

A relação com os Ornamentos começou quando em uma rotineira aula de História da Arte o professor disse-nos: “Um ornamento pode ser muitas coisas, sua linguagem é heterogênea, vai muito além do propósito da ilustração, estética. Sendo filho da Arte, faz igual a mãe: desfaz-se e refaz-se todo instante, de longe um, de perto mil”. Mal sabia eu que entraria em universo magnífico e dalí retiraria respostas para uma gama de questões em minha vida. 
– Minha relação com as Artes é e sempre foi primogênita, pela herança genética fui concebida logo ao nascer o título de Artista. Sou, sempre fui, nasci sendo, morrerei exercendo e lutando por aquilo que acredito fielmente. A Arte em sí, conhecida por vários nomes, é portadora de certo Intelectualismo que em determinado ponto se entrelaça com a Sensibilidade e resulta em um fenômeno divisor chamado de Criatividade. Este fenômeno, para aqueles que acreditam, é capaz de mudar inúmeras coisas, tanto no âmbito social quanto no âmbito emocional de um indivíduo. E isto, caro querido que está lendo-me, dentro de minha subjetividade, consegue ser avassalador. Para mim, neste ponto, exatamente neste citado a cima, a Arte mais uma vez se despedaça e torna-se várias, com tantas funções, agora também é um objeto social. Que linda! – 
Engoli cada frase que surgia na fala do Mestre, a partir daquele instante algo novo se abria dentro de mim e eu sem saber direito do que se tratava somente conseguia absorver tudo o que era dito. A ênfase no “pequeno que forma o todo” me captou toda atenção, achei magnífico algo tão simples trazer uma mensagem tão grandiosa e naquele momento passei a entender tudo. 
A Ornamentação ganha espaço na História da Arte no período Barroco. Em pleno século XVII haviam Artistas de toda Europa a caminho de Roma para estudarem as obras primas das Antiguidades Clássicas e da Alta Renascença. Naquele momento havia um campo de opções aberto para os pesquisadores pois era um ponto de interesse da Igreja, pronto! Cenário perfeito para a ascensão de um estilo e filosofia que após anos foi negado e aceito. Os Ornamentos são imagens ou objetos que foram milimetricamente pensados, arquitetados, manuseados e finalizados, houve todo um cuidado para cada coisa estar em seu respectivo lugar, o seu processo de execução pode durar horas ou dias e geralmente o resultado é fantástico. Ornamentação é valorização dos detalhes e isso inclui muito estudo, paciência e dedicação com o mínimo, se existe um ordem é porque a Ordem naquele espaço se faz viva, se é colorido é porque a Cor é algo relevante naquele lugar, o material em que se trabalha certamente possuirá algum enredo com toda a conjuntura, desenhos e signos, podendo ser mitológicos ou não, ganham uma enorme importância pois cada pedacinho destes irão somar-se e ao visualizar a obra completa serão vangloriados pela sua riqueza. Ou seja, a ornamentação é o início, meio e fim de uma obra artística e a sua execução que ganha grande valor no espaço, além do acompanhante, claro, o discurso, que neste caso não será dos fracos. Ornamentação é o trabalho das formigas, é a  priori quando feito atualmente, é muito cuidado e concentração, é amor e dedicação pela obra. Ornamentação se torna um estilo onde ao cuidar do mínimo obtemos um total estupefante. É com certeza para além.